lembra ano passado? quando eu tive meu primeiro hater? vc não vai lembrar, aposto, vieram muitos depois, mas eu lembro porque eu quase morri deitada em posição fetal. você disse qualquer coisas sobre ‘você é relevante. só não tem hater quem não tem seguidor.’ e eu morri por uns 3 dias, mas depois acreditei. 

nesse ano deu até pra perder a conta, me xingaram muito, me ameaçaram de morte, briguei com quem eu conhecia e com quem eu nunca vi. e eu to exausta. eu achava, de verdade, que tinha aprendido a lidar com a histeria da internet e que eu não me importava em ser xingada-ironizada-ridicularizada. sei lá porque eu achava isso, vai ver porque eu só me importo com a opinião de quem eu amo e/ou respeito. ou porque eu penso 400 vezes sobre o que eu vou escrever, porque eu leio, eu discuto, eu penso e nada é da boca pra fora. mas, surpreendentemente, me doeu muito mais do que percebi na hora, demorei meses pra elaborar e agora sei que deixei pra trás uns pedaços de mim. eu engoli muito sapo, matheus, logo eu, que não penso duas vezes antes de bater boca. eu não me poupei. engolir sapo me matou um pouco, bater boca também, sei lá, foi foda. como eu não percebi, ninguém em volta de mim percebeu também. eu falei que tava tudo bem, todo mundo acreditou, mas não tava. um universo inteiro de energia escoando pelo ralo e ninguém, nem eu!, viu. 

e, cada vez mais, percebo como a minha vida pessoal sofre e se dói com tudo isso. a minha vida pessoal não é o meu trabalho mas meu trabalho é também quem eu sou e eu sou essa pessoa que incomoda, que tem opinião demais, que briga, que magoa os outros pelo caminho. espirra em todo mundo que eu amo, abala com mais força tudo que tá começando e eu não sei a hora de parar. briguei demais e depois fiquei quieta demais pra não brigar ainda mais.

tem uma canseira gigante no meio de um monte de coisa legal. e tem um mundo inteiro de exposição e desgaste que eu-não-sei-lidar. não sei a medida, não sei quando parar, não sei calcular o estrago. não sei se vale o post, não sei se vale o posicionamento. sempre parece que é só uma merda pequena mas vai crescendo e ficando imenso dentro de mim. ó! é impossível dizer que eu fiquei doente de tanto trabalhar, como todo mundo adora dizer, mas se eu tivesse que atribuir uma causa maluca pras doenças do ano, eu chutaria que eu fiquei doente tantas vezes porque eu ‘briguei demais e depois fiquei quieta demais pra não brigar ainda mais.’. e adivinha? eu ainda não sei a hora de ficar quieta sem morrer e a hora de brigar sem matar.

hoje eu percebi que 5 dias na praia não curam a canseira mental. eu preciso achar outro jeito de estar no mundo, um jeito mais gentil comigo mesma. precisa ser leve. tô terminando o ano de ressaca e espero que você esteja só começando a beber. <3 

8 thoughts on “briguei demais e depois fiquei quieta demais pra não brigar ainda mais

  1. Ninguém e alegre o tempo inteiro. O que percebo o tempo inteiro é um esforço que as pessoas fazem para parecerem alegres. Um abraço! Bem vinda ao clube!

  2. “eu preciso achar outro jeito de estar no mundo, um jeito mais gentil comigo mesma”.
    Tenho pensado muito sobre isso. Sobre o lugar que eu ocupo no mundo e como me posiciono nele. Saúde mental e autocuidado são minhas metas para 2019.

  3. Boa noite, já bebi e quero ficar 4 dias sem beber, mas eu daria muita coisa por um mesa de bar, eu e vc é alguma birita p gente conversar. To precisando, eu a sigo por ser inspiradora, forte, inteligente, por que vc disse que seus atos são vc…. mas depois de ontem e hoje, assim, vc virou minha irmã…. ah! Eu queria uma birita e uma mesa de bar c vc… ou a mesa da cozinha da minha casa, ou o tapete… sei la… das coisas da vida que to c muita vontade.

  4. Puta texto ótimo, que vai no coração desse nosso tempo de mega exposição e políticos/política em colapso, levando o país e nosso presente/futuro ladeira abaixo. Tudo isso adoece. O hoje nosso adoece. Se meu IG fosse aberto e eu tivesse que debater com fascistas, estaria morta, ou teria uma recidiva de câncer. Eu temo por mim só por não poder/querer sair do Brasil. Eu não quero sair daqui, o Caetano está certo, só devemos sair se for indispensável. Mas ficar tbm vai ser/está sendo uma violência. Bjos, Thais. Força. Te conheço via Mirelle @13anosdepois.

  5. Cara queria real ter como te proteger de todo esse sentimento de exaustão por conta de pessoas e situações que vc não mrtece. Mas como mãe sempre diz, o que não mata fortalece, então siga forte em suas metas e saiba que pra cada cuzão que aparecer vai ter 10 ou bem mais pessoas fodas que te admiram. Força e aceite que o mundo tá osso e não e culpa sua, nem da sua opinião e muito menos de sua expressão. Vc é demais!🖤

  6. Thaís, quero primeiro te deixar um abraço. Eu não tenho um trabalho público como o seu, minha presença em redes sociais é apenas pessoal mesmo e mesmo assim já me causaram tanta ansiedade que hoje é tudo bem mínimo – ainda não estou zerada da ansiedade mas caminhando para. Acho que nenhum conselho que eu possa te dar agora você já não tenha tentado seguir, mas fico daqui torcendo pra você encontrar uma forma gentil de ser/estar nesse mundão doido. Você é uma das incríveis mulheres que passei a seguir em 2018 e pra mim, esse foi o ano que eu aprendi que eu posso escolher como trilhar meu caminho: se mirando em gente que não combina comigo e passando raiva 24/7 ou olhando pra gente que inspira e ensina e me faz todo dia querer ser mais leve e confortável na minha própria pele. Optei pelo segundo time e você faz parte dele, inclusive por dividir que você se posiciona e é mulherão mas também sofre e precisa de espaço.

    Que a ressaca passe e que em 2019 você consiga beber vários drinks deliciosos em paz.

  7. Nossa, que post! Me descreveu. Não descobri ainda como ficar quieta sem morrer e brigar sem matar. E isso não é só de agora, é de sempre. Também na busca de ser mais gentil comigo e descobrir meu lugar no mundo.

  8. Sabe, a gente se orgulha tanto de ser ariana e tals. Mas viver nesse intensidade, em que tudo – simplesmente tudo – é tão profundo, cansa pra caramba. Admiro demais você e sua personalidade e entendo que esteja exausta. Espero que não desista de ser você, ácida é feroz como sempre – mas carregada de verdade e coragem! <3 (acho que falo para você que também me ouça)

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