tem umas coisas soltas que eu queria falar, que eu vou pensando entre as cartas mas raramente sei encaixar organicamente no assunto (eu raramente sei encaixar o que quero dizer organicamente). Mas ao mesmo tempo quero escrever porque eu esqueço fácil…

Primeiro, eu fui assistir aquele vídeo da jout jout que sua pergunta inspirou e lembrei de um exercício que aprendi que funciona demais pra esse negócio de se amar, principalmente quando o problema é com o olhar do outro. Nem lembro onde aprendi, mas o exercício é simples: todo dia você escolhe três pessoas aleatórias, que você sei lá, cruzar na rua, no metrô, no café… acho que não vale ser gente conhecida (não que você não possa fazer também, só não conta). Mas você vai olhar pra essas pessoas e sem motivo específico só pensar com o máximo de sinceridade possível “tomara que essa pessoa seja muito feliz”. Eu não sei se acredito que nada místico/espiritual aconteça, mas funciona tão bem. Eu tenho a impressão que quebra um pouco a paranoia de que tá todo mundo te julgando/reparando negativamente. Sei lá, torna os dias mais leves, tipo não esquecer de olhar pro céu (que eu sei que você faz). Talvez sejam as duas coisas mais fáceis e importantes que eu já aprendi. Uma terceira talvez seja ter aprendido a ser grato pelas coisas, eu aprendi a ser grato bem velho. Segurar uma xícara de café com a palma das mãos, sentir o quentinho e ficar grato que até que a vida é boa? Eu estava ouvindo aquela ‘boas vindas’ do caetano, que ele escreveu pro filho ainda na barriga (Venha conhecer a vida/Eu digo que ela é gostosa) e fiquei me perguntando o que eu diria se alguém me pedisse um review honesto da vida e acho que até nos piores momentos eu diria que vale o ingresso, que é bem gostosa sim…

Eu comecei a ler o livro da Carol Bensimon e tô achando engraçado como tem alguns temas que aparecem por todos os lados (ou você só começa a prestar mais atenção e bum. tenho tido isso com cartas também). Essa melancolia com as revoluções dos anos 60 que não deram muito certo (ou que na prática eram utópicas só pra uma meia dúzia de homem branco). Tô lendo um livro divertidíssimo e aterrador, stranger than we can imagine, que é sobre o século xx e o cara tem um olhar muito inteligente sobre tudo, demonstra muito como as revoluções ou envelhecem e encaretam ou são recebidas com uma força desproporcional do status quo e tudo acaba piorando (e que concentração de gente maluca e maravilhosa foi o século xx, né)… Vi também o No Intenso Agora que você tinha comentado, pra somar mais um pouquinho nessa melancolia da revolução. Sei lá, foram experiências boas mas eu tô precisando ler alguma coisa que me faça acreditar no futuro. Eu queria muito acreditar numa utopia coletiva mas cada vez mais acho que a utopia possível é fincar sua bandeira num lugar, defender quem você ama e tá perto e ir expandindo esse raio de acordo com a sua inteligência/tempo/energia.

Mas voltando ao clube, tem uma hora que tem uma descrição tão bonita que eu já me apaixonei pela personagem “Não era um coque, era quase uma cena congelada de um coque sendo desfeito”. Eu sempre me pergunto se o tanto que eu amo essas descrições de moda é por ter sempre aberto minha perspectiva pra isso por conversar com você… mais uma coisa pra longa lista de gratidão <3

Eu sei que assim que eu postar isso vou lembrar de mais um monte de coisa. Isso não foi exatamente uma resposta da última carta porque eu ainda não sei se sei falar muito bem sobre perda, mas pra todo resto eu tô aqui. te amo.

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