eu li o perfil do bourdain depois que vc compartilhou no fb. perfil gigantesco, aliás. fiquei puta porque eu nem conhecia ele direito, detesto quando eu perco o timming e só descubro a pessoa direito depois que ela morre. fiquei com tanta inveja do jantar dele com o obama, acho tããão sensacional quando rolam essas coisas, parece que o tempo parou e só existem os dois, jantando. ninguém é presidente, todo mundo é livre. o tempo não para só pro romance, é bom ver acontecer.

“E quase tudo que eu me arrependo foi por inação, ter ficado em situações que não me faziam crescer nem feliz nem mais sábio por comodismo, como uma rã cozinhando em fogo lento.” eu amei isso. vou escrever num post it e colocar no meu moodboard, não quero cozinhar em fogo lento. mas é. ser vulnerável tá muito ligado a ser livre, eu acho. você só é capaz de ir lá e fazer as coisas que você, genuinamente quer, se você sabe cair. é claro que a gente vai cair a vida inteira e se quebrar por inteiro umas 10 vezes por ano, mas não tem outro jeito. todo o resto é cozinhar em fogo lento.

fiquei pensando do que eu me arrependo. eu me arrependo de muita coisa, mas eu realmente não consegui fazer melhor na época e tudo bem, eu fiz o melhor que eu pude lá atrás.  vou citar um exemplo bem específico: eu sempre me arrependo quando eu me engano. quando eu sei que a coisa tá cagada e eu finjo que não tá. o pior é que é difícil não repetir, eu volta e meio me engano de novo.

tenho uma amiga que morreu de câncer no início desse ano. ela descobriu quando o câncer já não tinha muito o que fazer. ela sabia que ia morrer. quando ela me contou que tava doente eu chorei, sem parar, por uns 3 dias. chorei de saudade antecipada dela, chorei de ódio desse mundo escroto, chorei porque ela tem um filho da idade do miguel e senti a dor dela, de mãe, de não poder criar o próprio filho. chorei por mim também, que sei como é perder mãe e vi minha irmã, com 3 anos, ficar sem mãe. chorei por ela e por mim, sem parar.

uma vez, num áudio de whatsapp, ela me disse que a gente tem que parar de querer ser feliz o tempo inteiro, às vezes é só ficar em paz. isso não sai da minha cabeça. estar em paz tem que ser suficiente. óbvio que não o tempo todo, óbvio que ser absurdamente feliz é bom pra caralho e a gente quer em doses cavalares. mas a gente precisa se acostumar a estar em paz. e eu fico muito em paz quando ‘ela se joga todo o dia do alto da janela das certezas. às vezes esquece o pára-quedas e quebra todos os ossos, mas o frio na barriga e a cara de susto dos vizinhos sempre vale a pena.’

eu só fico em paz se eu tentei tudo, esgotei todas as possibilidades, se eu tava inteira, se eu saí com todos os ossos do corpo quebrados mas comigo, dentro de mim. eu não tenho nenhum ex mal resolvido, eu não tenho saudade de nada que passou, de nenhum trabalho, de nenhuma cidade. eu não deixei nenhum pedaço meu lá atrás. eu to em paz porque eu fui pulado das janelas e me quebrando e voando e colando.

responderia pro goddard que eu sou livre e feliz porque eu to em paz. porque eu esgotei todas as alternativas e eu tenho certeza absoluta que eu to inteiramente remendada no presente. inteira. hoje. eu sou feliz e livre porque eu faço tudo, falo tudo, vivo tudo, amo tudo, vou embora com tudo. livre pra caralho. e os ossos se colam (meu pai vai amar essa metáfora ortopédica, haha).

lembra de me dizer isso quando eu esquecer? que eu só fico em paz se eu falo tudo e faço tudo e vou embora inteira mesmo que remendada? 

amo quando você tá feliz. 

1 thought on “did i fell happy because i was free, or free because i was happy?

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