Só pra não perder muito o hábito da escrita e achar que eu esqueci como escreve. Eu passei uns dias meio triste sem motivo óbvio. Acho que é o pós aniversário, eu sempre acho que tudo vai mudar de um dia pro outro, que de repente todo dia vai ser um dia interessante de novo, mas nem sempre são. De vez em quando vem uma sequência de dias meio chatos que tudo parece opaco demais fico pensando se dou conta mesmo de todas as promessas que fiz – principalmente as que eu fiz pra mim mesmo. No fundo é tudo orgulho, né? Ainda sou orgulhoso demais pra errar, por mais que eu saiba que não só é ok errar como é desejável, né?

Um pouco é estar preso nesses meses finais numa vida que eu já tô cansado, numa cidade que eu já tô cansado, essa vontade que tudo passe rápido, de piscar e já estar em 2019. Mas isso é tão idiota. A vida já é tão curta, já é um sopro e eu querendo que passe rápido. A gente fica querendo que o tempo passe rápido e ele passa na mesma velocidade de sempre, só que tudo fica mais chato. Mas eu continuo lendo mil coisas, vendo mil filmes aí fico me enganando que isso é suficiente, que o consumo passivo das coisas é transformador por si só.

Só que a terapia deu efeito. Tô levantando mais rápido. Pelo menos aprendi a colocar um defeito trabalhando contra o outro aí eles acabam se anulando e dá pra uma qualidade ou outra brilhar um pouquinho. Tipo o caso do TCC: pra evitar qualquer autossabotagem eu botei meu orgulho pra trabalhar, todo dia conto pra alguém das minhas ideias. Conto pra pessoas que eu gosto e respeito a opinião, que aí sei que não vou conseguir voltar atrás depois: vou ter que botar o negócio no mundo. Já saquei que se eu der o primeiro passo, se eu passar da soleira da porta eu não sei voltar atrás.

O negócio é que eu fico/ficava esperando alguma permissão, né? Uma cartinha do clube dos gênios falando ‘tá aqui seu certificado, pode tirar suas ideias da cabeça e jogar no mundo’. Só que não tem. Quem dá essa permissão sou eu e isso é maravilhoso (e ao mesmo tempo um terror porque eu sou chato demais comigo mesmo). Eu fico todo dia falando comigo mesmo que fica mais fácil, e fica mesmo, mas mais fácil não significa perfeito e indolor, né? E deus me livre de ser indolor. Tem dias que vão ser merda mesmo e tem hora que é melhor não lutar contra, ouvir um elliot smith, tomar alguma coisa, pensar em todas as mulheres da minha vida, porém sabendo que amanhã tem outro dia, que a onda passa (e como passa fácil, qualquer elogio eu já tô 200% eu de novo). Essa carta foi quase pra mim mesmo, né? Desculpa a egotrip desconexa, desculpa os dias meio mornos. Ainda acredito muito nos nossos planos, quero muitos projetos no mundo material com você, muitos pretextos pra te ver (não que precise). E ainda não escolhi o livro que a gente vai ler… te amo <3

Deixe uma resposta