você falou sobre ser grato, né? pois bem, meu amor, vou te dizer que pra esse negócio de gratidão funcionar mesmo cê tem que ser grato pelo que deu errado. tá fácil ser grata por morar em são paulo (que eu amo!), por ter estudado numa escola foda e depois em uma faculdade foda. agradecer por ser mãe do Miguel? easy like sunday morning, pra citar uma música que eu odeio. facílimo agradecer por ter o privilégio de trabalhar com o que eu amo, do jeitinho que eu decidi que seria. li um texto de alguém em algum lugar (hahahaha) que era sobre ser grato pelo que deu errado. começo minha lista (complete com a sua <3):

grazadeus eu não passei no primeiro vestibular, daí tive tempo de repensar e ir fazer cinema. posso também ficar bem agradecida por ter sido esquisita durante a adolescência, pegado pouca gente, sofrido e me sentindo sozinha quase sempre. foi bem nessa época que eu vi ‘a vida é feita de som e fúria’ e, não fosse essa peça, eu não tava aqui hoje. fico feliz por ter me apaixonado por um cara pavoroso ano passado, foi ele que me lembrou que se eu me distraio já vem um boy querendo problematizar meu trabalho-carreira-projetos. foi ele que me lembrou como eu amo ser adulta e como eu não topo mentira. por fim, eu vou agradecer por estar em são paulo, mas não ser daqui. me dá um trabalho GIGANTESCO, todo dia, fazer networking, amigos, entender como os homens paulistas funcionam (ainda não sei e duvido que saberei), mas é só por isso que eu nunca, jamais, take for granted o privilégio que é viver o meu sonho. não esqueço nem um segundo que eu quis estar aqui e eu demorei muito pra chegar. eu sei que eu só sou a pessoa que eu sou porque eu perdi minha mãe muito nova, ela era meu norte, meu porto seguro, mas por isso, sinto muito, não vou ser grata, não. mas reconheço que, sim, sou essa pessoa que eu gosto de ser graças a tragédia.

pra não terminar no climão, haha, vou te dizer que eu to impressionada como as pessoas que não tem filho (nem namorado e marido) tem tempo. manodoceeeeeu, é por isso que vc sempre viu-leu-sabe de alguma coisa que eu nem ouvi falar. to há 3 dias sem miguel (e eu não trabalhei demais esse fds) e já andei de skate, corri, visitei a Marina naquela casa looonge, vi vários amigos, to na metada de livro da Carol, assisti a série do Tupac e do Biggie, tomei sorvete, dormi até tarde, vi Brasil ser eliminado da copa, fiz post no blog, to escrevendo aqui e ainda não acabou o feriado. tô chocada. se eu soubesse disso antes de ter Mig eu tinha dominado o mundo, haha.

“Dou-lhe este relógio não para que você se lembre do tempo, mas para que você possa esquecê-lo por um momento de vez em quando e não gaste todo seu fôlego tentando conquistá-lo. Porque jamais se ganha batalha alguma, ele disse. Nenhum batalha sequer é lutada.” parece auto ajuda mas é faulkner, juro. haha. to muito quoted esses dias 😛

love you.

2 thoughts on “eu sou sempre sobre o tempo

  1. Adorei querida! Você conseguiu ver o lado bom das coisas ruins, vou fazer esse exercício, mas confesso que ainda tenho dificuldade com essa coisa da gratidão… preciso tentar mais! Será que tbm dá pra ser grata mesmo se a coisa ruim não tiver lado bom? Ou tuuuuudo tem uma lado bom? Fica a reflexão! Beijos 😚

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