Vou atravessar a ordem de novo porque voltei das férias primeiro e porque se eu não escrevo com regularidade vai ficando mais difícil (tô, quase aos 33, descobrindo o poder da constância. meu eu adolescente me odiaria). Tô chamando de ‘férias’ mas eu trabalhei bastante e tô bem feliz com isso. É muito boa a sensação de estar botando um negócio novo no mundo, né? Criar objetos reais e tangíveis, olhar pras coisas que a gente fez e ficar ‘caralho, eu fiz isso? tá tão adulto e profissional’ e perceber que até que eu ando bem adulto e profissional. Tem aquele papo do Steve Jobs lá (esse fato é que tudo ao seu redor, que você chama de vida foi inventado por pessoas que não são mais inteligentes que você, e que você pode mudar, influenciar tudo, pode construir suas próprias coisas que os outros poderão usa) que eu sempre achei bonito mas acho que finalmente tô entendendo e vivendo.

Acho que o mais válido que aprendi na terapia foi a reconhecer a diferença entre o que eu SEI racionalmente e o que eu realmente aprendi de um jeito que consigo usar sem nem ter que pensar sobre, e tenho focado muito mais nesse tipo de aprendizado do que em quantidade. Eu tenho até relido os livros que ‘mudaram a minha vida’ e é sempre um choque descobrir que eles ainda tem muita coisa pra me mudar, os livros muito generosos, né?

Mas voltando ao assunto, eu tenho sido ‘corajoso’ e tá ficando cada vez mais fácil e gostoso. Eu saio sozinho e me desafio a entrar nos restaurantes com mais cara de LOCALS ONLY que encontro, me esforço pra fazer perguntas sobre as coisas e lugares pra estranhos. Não sei se é possível e nem se quero virar uma pessoa extrovertida, mas tô conseguindo ser um introvertido mais curioso, corajoso e aberto e já tá bem bom pra mim…

Estive uns dias no Rio, cidade que nunca gostei muito – gosto das partes que me lembram você, mesmo você não morando mais lá faz tempo o Rio ainda é meio seu – e fiquei impressionado como melhorou. Tem tantos lugares bons pra comer e beber, tanta variedade (comi o melhor lamen da vida no South Ferro). Tanta mulher esquisita e maravilhosa que você tem vontade de saber tudo sobre, eu achava as garotas cariocas tão parecidas umas com as outras (acho que isso que sempre me agradou mais em SP). Antes era uma só cidade linda, agora me pareceu uma cidade linda com gente interessante. Mas vai ver foi só meu olhar que mudou. Quero voltar mais.

Falando em gente esquisita, tenho lido uns ensaios tão bons sobre cyberpunk\escrita do Rudy Rucker (na real são sobre a vida toda) que me deixaram pensando no que eu falei ali no começo, do quanto é importante a gente jogar nossas coisas no mundo, né? Eu acho tão bonito você advogar tanto pelo estranhamento, por uma moda mais pessoal e mais estranha, por ter essa coragem de se mostrar com defeitos, tão vida real. Eu ainda tô um pouco longe disso, mas aprendo todo dia com você. E tô tão feliz por essa sua coragem de enfrentar essas estradas aí na África, e de ver tudo lindo da Namíbia pelos seus olhos. Você é gigante e todo mundo cresce perto de você. Obrigado por estar perto sendo você. te amo. <3

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