tô quase fazendo um outro café, às 23:20 de uma segunda porque eu gosto de responder tomando alguma coisa.


tive juízo e fui dormir, o que foi bom porque gosto de ver o dia surgir e quando consigo coar meu café sem pressa, escolher o que vou ouvir durante o dia e ficar no banho até meus ossos começarem a derreter sei que o dia vai ser bom. Isso meu de não ter pressa, mas é engraçado que os momentos que lembro com mais carinho, os momentos que até enquanto estou vivendo já sei que vou lembrar feliz depois são momentos que tô no olho do furacão tomando mil decisões ao mesmo tempo e salvando o dia. Desde cedo me identifiquei com os anti-heróis ou com quem não queria nada com essas dualidades, mas ultimamente descobri que grande partes dos meus problemas são de tentar ser heroico demais pros outros e descuidar da minha vida… terapia nem sempre é o espelho que a gente quer, né? Eu tenho muita dificuldade em dizer não pra alguém aparentemente tão ‘do contra’ também, mas enfim… tô aprendendo a aceitar as contradições sem acreditar que são problemas que precisam ser resolvidos, são ferramentas bem interessantes quando você faz as pazes com elas.

E as coisas sempre dão certo desde que eu me convença que elas valem a pena, o que é difícil porque comigo mesmo sou muito menos encorajador do que com os outros. A ideia de me tratar como alguém que gosto muito é um negócio novo e um exercício diário que nem sempre funciona. Eu preciso me permitir ser deliberadamente ridículo também, todo mundo que eu admiro sempre estava no limiar entre o genial e o ridículo quase o tempo inteiro e talvez não dê pra ser genial sem fazer muita coisa de gosto questionável no caminho. Ainda mais quando você não se contenta com os caminhos que já estão prontos. Falando nesses sublimes ridículos, vamo no show do father john misty? Eu não consigo parar de ouvir o último disco e ele tá bem nessa categoria… tem uns momentos que beiram o constrangimento e ele é autoconsciente de um jeito que as pessoas amam odiar, mas eu gosto muito dele. E é casado com uma fotógrafa muito talentosa, emma tillman (e ainda assim é bem melancólico e é bom lembrar que amor raramente resolve essas coisas na vida, e acho que tudo bem).

Ontem na estrada eu li quase metade do kitchen confidential e tinha um monte de coisa pra te contar, queria falar de algumas sincronicidades também, de uns negócios que li que me deixaram meio cabreiro com o henry miller, mas temos tempo. Mas sobre a pressa ele diz um negócio muito parecido com o Cohen:  “Talvez isso seja esclarecimento suficiente: saber que não há lugar de descanso final da mente; nenhum momento de clareza presunçoso”. Não que você tenha que parar de correr, se correr te faz feliz (e eu sei que faz). Mas é importante aproveitar a corrida em si também (e eu sei que você aproveita, acho que tô falando isso mais pra mim, pra saber que eu posso e devo pensar no destino e ainda assim aproveitar cada momento da viagem).

E não se preocupe com essas coisas de não fazer, me diz quando você estiver pronta e tudo bem (ainda mais no caso do livro, tô sempre lendo dez ao mesmo tempo).

um beijo <3

1 thought on “make the road by walking

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