muito do que eu ia te responder os comentários já responderam. Você tocou num negócio que todo mundo passou esse ano (e que ano longo). Eu fico muito orgulhoso de você ter se colocado numa posição tão ativa esse ano e um tanto culpado por não ter sido tão firme nas minhas posições. Tive muita preguiça de discutir com fascistas, ouvi muita merda calado. Preguiça de argumentar, desesperança com a capacidade cognitiva das pessoas, tudo misturado. Mas a gente também precisa tomar muito cuidado com essa manufatura constante de indignação. O plano deles é deixar a gente puto com todo absurdo diário até a gente ficar meio anestesiado. Não que não seja tudo absurdo e tudo urgente, mas a vida também é, o pessoal também é político. Estar presente e atento pra quem a gente ama. Estar presente e atento em tudo que a gente faz e sente. Eles querem que a gente esteja sempre pronto pra reagir, cheio de adrenalina, e viver assim mata a gente um bocado, né? Se cuidar também é revolucionário. Parar pra sentir e ser feliz e lembrar pelo que a gente tá lutando é revolucionário. O mundo não tá acabando, o desespero desses filhos da puta é justamente a certeza que o mundo tá só começando e o tempo deles acabou. O fim do mundo é papo de velho branco egoísta que não acredita que o mundo pode continuar sem eles. E todo mundo que te ama te quer forte, saudável, feliz e corajosa por muito tempo, pra viver as vitórias também e não só a luta.

Falando nisso eu fiquei tão feliz com aquele seu post de amor no instagram! Eu preciso conhecer o Ivo. Muito bom te ver inteira e feliz num relacionamento (e fiquei me perguntando se já estive assim e sei lá, mas não tô muito afim de falar de amor porque ando bem azarado nisso aí nos últimos anos (mas ainda acredito)). E todo o resto tá muito bom. A inauguração da loja foi linda, faltou você aqui. Muitos amigos, tudo ficou tão bonito. Eu já sabia que ia ficar bonito, mas ainda assim me surpreendi. E as coisas que eu mais temia não aconteceram. Eu tô sendo bem feliz vendendo e atendendo pessoas, sabia? Acho que meu pavor com clientes vinha mais de estar ‘vendendo’ coisas que eu não acreditava, coisas que eu sabia que funcionavam nos bastidores com um certo desprezo com as pessoas. Sempre tive pavor de vendas porque quase todos os vendedores que conheci eram manipuladores e sentiam um certo prazer em enganar.

Aqui eu tenho um sentimento de completude, sei que todo mundo envolvido tem um amor real pelo que tá fazendo e existe uma preocupação em ser ético. Nem ético, uma preocupação em ser bacana com as pessoas mesmo. A gente tem que ser doce e amar quem acredita na gente, né? Como você disse de não comprar as brigas, não expressar, eu também adoeço quando é o contrário, travo. Sou ridículo de transparente, nunca conseguiria mentir pra viver.

E é tão bom estar num lugar que você tem orgulho de tudo, que tudo você tem uma história pra contar. Mostrar e falar de tudo e no final ainda poder falar “ah, essa foto é minha, essa estampa fui eu que fiz”. A gente conversou um milhão de vezes sobre essa validação de estranhos, né? Sempre morri de medo de colocar as coisas no mundo e todo mundo odiar (ou pior: ignorar). Mas as pessoas têm sido tão doces comigo, recebi elogios em tantas línguas que eu mal entendo (comecei até a reler o rayuela em espanhol pra ver se dou um jeito nisso, mas depois eu volto nesse assunto). Eu vendi minha primeira fotografia logo na primeira semana. Nem consegui dormir no dia. Cê lembra das suas primeiras clientes? O que você sentiu? Não sei se sou bobo e inseguro demais, mas muito tempo que eu não me sentia tão feliz e realizado. Acho que agora posso dizer que sou fotógrafo mesmo. Eu devia falar mais disso de cidade nova, mas é tanta coisa pra falar. Agora vou falar só que tá muito bom e muito inspirador, já tem dois cafés que eu gosto, o que pra mim já é se sentir em casa.

Eu já escrevi pra caramba e ainda queria falar mil coisas, acho que vou deixar pra uma parte 2. Eu ando com muita vontade de escrever ficção mas não sei nem por onde começar… Mas por todo lado vejo sinais que é um bom momento.

Bem, eu tô morrendo de vontade de beber com você e morrendo de saudades de são paulo. Prometo que 2019 eu vou fazer mesmo todas as viagens que prometo 😉

te amo e morro de orgulho de você sempre crescendo, sempre mudando, sempre sem medo. Se cuida (e se precisar pede ajuda, pedir ajuda também é coragem) <3

(um último adendo: tô lendo o livro da Carrie Brownstein das Sleater Kinney, “Hunger Makes Me a Modern Girl” e lembro de você toda hora. Você que me apresentou elas com a ‘i wanna be your joey ramone’ mas aposto que você nem lembra. Minha memória é ridiculamente precisa pra essas coisas. Obrigado por isso também, entre todos os outros mundos que você me ajuda a descobrir)

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